O extravagantemente intitulado “Dissidia 012 Final Fantasy” é o melhor exemplo dessa era da Square Enix, pois apesar de oferecer o refinamento de mecânicas característico da produtora, o jogo é descaradamente derivativo.
Jogos de luta vão, por definição, diretos ao ponto: basta arrebentar o adversário para progredir. Mas “Dissidia 012” muda isso por fazer jus à sua descendência oriunda de RPGs e implementa uma história excessivamente longa, detalhada e com sistemas característicos desse tipo de jogo. É uma mistura que combina com o legado da série, mas que têm altos e baixos.
A história de “Dissidia 012” é, sem meias palavras, terrível, em grande parte devido ao diálogo confuso e desnecessário. Existe uma mitologia interessante por trás dos eventos dispararatados, mas isso é ofuscado pelas conversas inúteis que os personagens insistem em travar a cada 15 minutos.
É claro que o jogador não é obrigado a suportar essas sequências, mas você sempre fica na expectativa que desta vez eles irão dizer ou fazer algo interessante ao invés de discorrer sobre metafísica e coisas nauseantes como amor e amizade.
Entretanto, a parte que realmente importa no jogo, as lutas e seus sistemas, continua interessante como sempre. “Duodecim” não é exatamente uma continuação: assim como “Super Street Fighter IV” foi uma atualização para o primeiro “Street Fighter IV”, “Dissidia 012” é apenas uma versão 1.5 do primeiro “Dissidia” com novos personagens e alguns sistemas a mais.
O jogo mantém o seu sistema frenético de batalha baseado no acúmulo de Bravery para desferir golpes que reduzem o HP do personagem, mas com novidades como Assists, personagens invocados no meio da luta que inclusive são usados em alterações no uso dos especiais EX. Além disso, os novatos Lightning, Laguna, Yuna, Vaan, Kain e Tifa trazem bastante variedade ao elenco, e as diferenças fundamentais de cada um desses personagens exemplificam bem a flexibilidade do sistema de batalha.
“Dissidia 012 Duodecim Final Fantasy” não é um jogo ruim, longe disso. Apesar de ter uma história horrível, esse não é o foco do jogo: a apresentação audiovisual é impressionante para o portátil PSP, o sistema de batalha continua empolgante como sempre, e a customização de habilidades, equipamentos e outros itens é complexa e viciante. Fãs de “Final Fantasy” irão com certeza apreciar o jogo, mas pessoas que não cresceram com a série (ou aqueles que apreciam inovações em jogos) ficarão desapontados.
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