A conclusão da saga de Marcus Fenix no Xbox 360 é épica, explosiva e, surpreendentemente, emocionante!!!
É difícil apontar se “Gears of War” é a franquia mais influente da atual geração ou se é a que representa de forma mais detalhada o zeitgeist. A jogabilidade fortemente baseada em cobertura e o estilo gráfico puxando para marrom-sujeira e cinza-metralhadora influenciaram diversos outros games, como os infelizmente péssimos “Kane & Lynch: Dog Days” e “Quantum Theory”.
A humanidade vive seu pior momento no planeta Sera.
Dezessete anos depois do começo da guerra contra os Locust, os sobreviventes se espalham em cidades arrasadas pela guerra, vivendo aos trancos e barrancos em pequenos grupos. A principal cidade humana, Jacinto, foi destruída para inundar os túneis dos Locust e conter o avanço dos Lambent, criaturas Locust que sofreram mutações após entrarem em contato com o combustível conhecido como Imulsion.
A história do game não vai ganhar nenhum prêmio pelo roteiro, mas esse é o game mais bem roteirizado da franquia e a trama é redonda do começo ao fim. Ainda assim, se faltam momentos de genialidade, surgem, subitamente, momentos de emoção no meio do caos. A Epic Games finalmente conseguiu transferir a noção de irmandade entre esse grupo de fuzileiros bombados para o jogo, mostrando os sacrifícios que eles precisam fazer para continuar lutando pelas sobras de planeta que ainda restam, mas sem descambar para o melodrama ridículo.
A primeira coisa que o jogador vai notar em “Gears of War 3” é que os gráficos deram um salto gigantesco para frente. As texturas estão melhores – apesar de algumas vezes demorarem a carregar, um mal aparentemente incorrigível da Unreal Engine 3 – e tudo flui, no geral, de forma suave.
Mas a maior guinada não é na potência dos gráficos, mas sim na direção de arte. Enquanto o primeiro “Gears” era escuro, cinzento e confinado em prédios destruídos ou ruas devastadas, o terceiro game da franquia abre os espaços e a paleta de cores, permitindo alguns cenários belíssimos, tornando o mundo um lugar muito mais crível, coeso e agradável. A diversidade de lugares também ajuda, com o jogador encarando inimigos em um deserto, um hotel luxuoso e até mesmo embaixo d’água.
A jogabilidade mudou bem pouco. O sistema de cobertura está mais preciso e tudo foi refinado à perfeição, mas se você odeia a ideia de se esconder atrás de uma muretinha para atirar nos inimigos, não vai se apaixonar por “Gears of War 3”. O jogador ainda precisa se movimentar pelo campo de batalha, buscando flanquear o inimigo. É mais do mesmo, mas refinado.
Ainda assim, a Epic Games tem algumas novidades na manga, como a possibilidade de jogar a campanha em modo cooperativo online para até quatro jogadores, além de algumas novas armas, como a Retro Lancer, a Sawed-Off Shotgun e a One-Shot. A primeira é uma versão da Lancer mais potente, menos precisa e com uma baioneta no lugar da serra elétrica, que pode ser usada para empalar inimigos.
A segunda é uma arma de curto alcance que pode dizimar o inimigo, mas tem apenas um tiro por cartucho. A terceira, é um rifle sniper que precisa de um tempo para carregar seu disparo, mas que pode obliterar um alvo com apenas um tiro. Junto com as outras armas, trazidas dos games anteriores, “Gears of War 3” tem uma seleção vasta de armamentos e os diferentes campos de batalha obrigam o jogador a trocar as armas constantemente, para se adaptar às situações.
No multiplayer, o foco da jogabilidade muda: mais importante que a cobertura é o movimento e jogadores mais experientes se movem como leopardos pelo cenário, pulando de um lado para o outro, se escondendo e saltando sobre muretas. Fora isso, é a festa da escopeta, com quase todos os combates se resumindo a disputas à queima-roupa, o que pode se tornar frustrante.
No lugar de classes customizáveis, como em “Call of Duty”, a Epic dá ao jogador a possibilidade de escolher uma escopeta e um rifle antes de entrar na batalha. Com isso, os combates ficam ágeis e dinâmicos, com os times correndo para a batalha em pé de igualdade nas armas, cada jogador adotando uma estratégia.
Tão importante como saber usar a sua arma é saber como anular a arma do seu adversário. Se você não está acostumado à velocidade dos combates, existe a possibilidade de entrar na opção Versus Casual, que bota jogadores iniciantes se enfrentando. O game ainda traz variações do modo versus, como Execution, Capture the Leader, King of The Hill e Wingman, que bota os jogadores em cinco times de dois integrantes cada, ampliando a necessidade de comunicação.
Outra fatia do multiplayer são os modos Horde e Beast. No modo Horde, refinado desde “Gears of War 2”, o jogador precisa, ao lado de seus aliados, sobreviver a ondas progressivamente mais difíceis de inimigos. A novidade é que cada morte gera dinheiro, usado para comprar fortificações para os jogadores, como torres, arames farpados e armas. A cada dez ondas, um chefão do modo campanha aparece para testar o coração da equipe, como um Brumak.
O modo é extremamente viciante, similar ao também divertidíssimo modo Firefight de “Halo: Reach”. O modo Beast inverte a equação, colocando o jogador no papel dos Locust, tentando invadir uma base humana. O jogador precisa acumular pontos, usados para destravar criaturas Locust diferentes e mais poderosas, mas cada uma tem sua função. A ideia é meio xerocada de “Left 4 Dead”, mas funciona dentro do universo Gears e é bastante divertida.
Enquanto você joga o modo campanha, mata adversários no modo multiplayer e sobrevive heroicamente no modo Horde, você acumula pontos, faixas e medalhas que customizam sua identificação nas partidas, aumentam seu nível, abrem novos personagens e skins para as armas, além de cobiçados Achievements. “Gears of War 3” vai te manter ocupado por meses e apenas os mais obcecados vão conseguir abrir tudo o que o game tem a oferecer.
“Gears of War 3” tem cenas em sua primeira hora que poderiam ser muito bem o final de outros games, menos épicos. Lá pela metade do game, depois de você rezar que jogaria apenas mais uma rodada no versus pela décima quarta vez, o jogo vai soltar uma granada emocional no modo campanha e você vai perceber que está vidrado, que se importa com os personagens, que não quer largar o controle e que essa lágrima é um cisco que caiu no seu olho. Claro que é. Cliff Bleszinski e sua equipe da Epic Games conseguiram talhar, a tiros de Lancer, um diamante bruto em um clássico dessa geração. Se a série deve ser lembrada por um jogo, que seja esse.
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